sexta-feira, 7 de maio de 2010

Devaneios

A frigidez dos gestos

Inibem a veracidade das palavras

Frio cortante e impiedoso

Que se alastra pela espinha

Semeando deserto em sonho

Comedindo a inexatidão


Qualquer coisa imperceptível

Entre o fechar os olhos

E o abri-los.


O silêncio maçante que grita qual cigarra

Numa nublada tarde de dezembro:

- Não há solidão completa.


Quando a ausência está marcada

Por fantasmas de presenças aturdidas

Não há dia em que não haja pensamentos

Acompanhando fielmente o desespero

Do sentir-se só

Sem estar só.


Talvez a presença seja a pior forma de ausência

que ausência completa não se sente,

de ausência completa não se tem saudade


fudida saudade.







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