A frigidez dos gestos
Inibem a veracidade das palavras
Frio cortante e impiedoso
Que se alastra pela espinha
Semeando deserto em sonho
Comedindo a inexatidão
Qualquer coisa imperceptível
Entre o fechar os olhos
E o abri-los.
O silêncio maçante que grita qual cigarra
Numa nublada tarde de dezembro:
- Não há solidão completa.
Quando a ausência está marcada
Por fantasmas de presenças aturdidas
Não há dia em que não haja pensamentos
Acompanhando fielmente o desespero
Do sentir-se só
Sem estar só.
Talvez a presença seja a pior forma de ausência
que ausência completa não se sente,
de ausência completa não se tem saudade
fudida saudade.
fudida saudade!
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