sexta-feira, 7 de maio de 2010

Devaneios

A frigidez dos gestos

Inibem a veracidade das palavras

Frio cortante e impiedoso

Que se alastra pela espinha

Semeando deserto em sonho

Comedindo a inexatidão


Qualquer coisa imperceptível

Entre o fechar os olhos

E o abri-los.


O silêncio maçante que grita qual cigarra

Numa nublada tarde de dezembro:

- Não há solidão completa.


Quando a ausência está marcada

Por fantasmas de presenças aturdidas

Não há dia em que não haja pensamentos

Acompanhando fielmente o desespero

Do sentir-se só

Sem estar só.


Talvez a presença seja a pior forma de ausência

que ausência completa não se sente,

de ausência completa não se tem saudade


fudida saudade.







Al olvido de una muchacha

Escrito depois de cervejas e conversas, pensando em chico e em sua razão.

Poderia ter-lhe dito muitas coisas: bobagens em tardes, canções de fáceis estribilhos.
Mas não, quis ser eterno e silenciou. Desse silêncio que como pedra afunda, estática, num rio revolto, com calma e azul, rumando ao piso duro do qual não se pode escapar. Numa noite de bruma e lua, enquanto as aguas escorrem e soam na concha de um ouvido qualquer: 'o esquecimento está cheio de lembrança'.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Destruído

Senti aquela noite minhas entranhas postas em mesa. Qualquer pedaço de mim adiquirira um sabor delicioso e ele degustava amargamente cacos de ilusões baratas ao som de um brega qualquer. Insatisfeito com consumir-me inteira, não me mirava, como se eu fosse bicho menor. Era uma não mirada que sbia de si. Sabia, seguramente, do cadáver que nascia aquela noite, sabia que era momento de enterro. E velava.
Sentada em uma cadeira de plástico vagabundo ensaiava um sorriso ridículo, era uma moça já sem entranhas, destruída.
A palavra destruída aparecia a cada instante em minha mente: tentativa de sorriso, destruída, pensar em outra coisa, destruída, saber de si, destruída; destruída.
Tudo o que fazia sentido naquele momento era que não havia nada, exatamente nada, que fizesse sentido: estava tudo destruído. Destruído porque para destruir é necessário haver construído antes.

- Disseram-me em algum lugar que a inocência que tinha já tão tocava mais, estava obsoleta. Acreditei. -

.

"E a leve impressão de que já vou tarde."

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Milhares de vezes um amigo me disse que escrever num blog poderia ser incrível. Uma exercício diário de manter-se sempre ligado à escrita e transforma-la em hábito. Nunca fiz muito caso, mas ultimamente andava perdendo os pedaços de papéis em que escrevia pareceres sobre coisas, pedaços de idéias, e isso me incomodou bastante. Imagino que começar um blog deve ser um pouco como começar um texto qualquer, a gente nunca sabe direito o que dizer. É isso que sinto enquando escrevo esse primeiro post, as linhas parece não saem dos dedos e uso uma retórica um pouco falha, por pensar que alguém poderá ler o que escrevo e nesse caso me podo um pouco.

Bom, pra inaugurar, lembrando sempre que a primeira vez é uma merda.


Que seja bemvida.